PEDRO NAVA ESCREVE SOBRE O PRIMEIRO SALÃO DE HUMOR DO BRASIL. Estive com meu tio na inauguração do Primeiro Salão dos Humoristas. Foi no fim de 1916. Lá estavam mostrando e se mostrando Kalixto, ou K. Lixto, Raul, Amaro, Helius, Fritz, Ariosto, Luis, Jota Carlos, Belmiro de Almeida, Basílio Viana, Nemésio Dutra, e outros reis da caricatura. Não sei se Maria da Silva Brito vai concordar comigo. Mas vistos em perspectiva, esses humoristas, pela tentativa que estavam fazendo de avacalhar a pintura séria e de nela introduzirem colagens de jornais (como os cubistas já tinham realizado) ou objetos heteróclitos como grampo de cabelo, pedaços de pentes, talheres, resto de máquina, olho de boneca – tudo ajudando a compor paisagens-trocadilho – talvez possam ser colocados nos grupos brasileiros do pré-modernismo. Isso é coisa a ser analisada, procedendo-se a uma revisão das fotografias tiradas na época e das críticas e descrições do salon aparecidas nos jornais de então. Da minha parte é uma opinião e uma sugestão de estudo. Entre as pessoas gradas convidadas para a primeira mostra dos humoristas lembro, pela solenidade e aspecto venerando, a do Barão Homem de Melo. Sua cara confusa parecia um novelo de estopa branca. De fraque, chapéu-coco, elegante, espectral, muito dado, muito conversado, muito cercado, muito homenageado. Pedro Nava, em Balão Cativo, página 280, 1989, Editora Nova Fronteira.
